Permita que a Sua Energia Flua
- Sensei Aline Keny

- 27 de set. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 26 de mar.

Antes de conseguirmos nos sintonizar com o nosso fluxo interior, é necessário acessar as emoções densas que fomos acostumados a reprimir desde a infância. Culturalmente, fomos moldados a nos “enquadrar” para parecermos “normais”, sendo, assim, dignos de aceitação e pertencimento. Quem não se enquadra ou demonstra ser diferente dos demais acaba sendo excluído, seja de forma direta ou indireta. Autenticidade não deveria constar como demérito, e sim como energia fluindo dentro de nós, em perfeito equilíbrio.
Controlamos e nos deixamos controlar por medo. E são abundantes os medos com os quais nos debatemos: medo de morrer, de envelhecer, de adoecer, de ficarmos sozinhos, de empobrecer ou nunca sair da pobreza. Medo de sermos rejeitados por ser quem somos, assim como somos: nem sempre tão brilhantes e reluzentes, muito mais falhos que sábios. Assim, por inúmeros receios — sejam os que já estão conscientes, tanto quanto os que latejam e se amontoam em nosso inconsciente —, se não estivermos atentos, vamos nos “enquadrando”, nos podando e diminuindo nosso brilho, luz e amor.
Não é bacana reprimir nossa energia, seja o que pensamos ou sentimos. A energia precisa fluir. Quando reprimimos, nos tornamos como uma “panela de pressão”, passíveis de estourar a qualquer momento — e, quando estouramos, a energia acaba fluindo, só que com feição inadequada e prováveis estragos e consequências nefastas. Repressão não resolve, e sim acumula a energia mal elaborada.
Em um ambiente terapêutico, conseguimos deixar as emoções densas virem à tona, acolhendo os sentimentos ditos “menos dignos” com respeito, amor e consciência (sem julgamentos), para que, assim, possam se dissolver/transmutar, nos limpando por dentro.
Reprimir o que sentimos gera tensão, o que também gera bloqueios em nossos chakras e meridianos. Desse modo, é importante examinar nossas tensões, pois nossos medos estão na raiz de cada desconforto que o corpo nos apresenta como sintoma. Temos de nos permitir relaxar de maneiras saudáveis para que todos esses drenos fiquem evidentes em nível consciente. Só assim nos expomos a ser tratados ou a nos tratar adequadamente.
Podemos nos permitir nos conectar ao ritmo normal de quem somos, de nossa natureza divina perfeita e harmoniosa: pausando, respirando, meditando. Fazendo uma coisa por vez. Falando com uma pessoa por vez. A fila está grande? Você só conseguirá atender satisfatoriamente uma pessoa de cada vez. Existem muitas demandas? Será preciso priorizar a mais importante. Afinal, somos apenas uma pessoa e não precisamos dar conta de tudo, ou abraçar e salvar o mundo. Você em primeiro lugar, okay? Em tempo algum será possível suprir todas as expectativas que existem a nosso respeito. Somos humanos, cheios de necessidades e limitações. Limites não são sobre os outros, são sobre nós mesmos; portanto, aprenda a estabelecer limites saudáveis à sua saúde e bem-estar.
Conecte-se com a energia da sua intuição e sinta qual é o ritmo que não lhe desequilibra. Esse ritmo geralmente é mais tranquilo do que o que esperam de nós. Acostume-se a frustrar expectativas sem se sentir inferior ou culpado por isso. Nossa saúde é a chave de todo equilíbrio.
Quando nos sintonizamos com nossos fluxos e ritmos internos, entramos em vibrações mais elevadas, e a lei da atração responde na mesma medida. Quanto mais leves nos sentimos, mais atraímos situações e pessoas leves e fluidas — saímos da resistência, passamos à rendição ao fluxo das coisas. O fluxo é a Consciência Crística atuando, em sincronicidade e harmonia. Há permissão do mais Alto para sairmos do esforço e do “trabalho duro”. Quando em fluxo, trabalhamos menos e produzimos mais, de forma efetiva e produtiva. Reprimimos menos e nos expressamos mais, deixando nossa energia circular naturalmente.
Raiva, por exemplo, é força crescendo dentro de você. Reprimir não ajuda. Existem inúmeras formas de canalizar essa “força” de um jeito saudável, seja conversando e demonstrando como algo que o outro disse ou fez o ofendeu ou machucou; seja praticando um esporte; escrevendo (como estou fazendo agora); cantando; dançando ou mesmo batendo em almofadas e deixando sair toda essa raiva através de movimentos, dizendo por palavras ao vento o que você ainda não tem coragem de dizer cara a cara.
Eu sempre digo: “Com amor e respeito, tudo pode ser dito”.
O não dito nos mata por dentro; mesmo assim, necessitamos aprender a dizer o que pensamos e sentimos com gentileza — e, quando isso não for possível, é melhor treinar em um saco de pancadas físico do que descontar em outra pessoa. É importante liberar a emoção, deixar sair. A energia precisa seguir um fluxo salutar; senão, nos matamos em pequenas doses — e isto não é o que queremos, não é mesmo?
Com amor,
Sensei Aline Keny



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