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“Queimem os barcos”: a coragem de não recuar diante dos próprios sonhos

queimem os barcos

Há momentos na vida em que permanecer como se está exige mais esforço emocional e psíquico do que ousar mudar. A célebre frase atribuída ao desbravador espanhol Hernán Cortés, “Queimem os barcos”, atravessou os séculos não apenas como um episódio histórico; ela vai além e atua como um poderoso arquétipo sobre decisão, coragem e compromisso interior.


Ao chegar ao Novo Mundo, conta-se que Cortés ordenou que seus navios fossem destruídos (queimados) para impedir qualquer possibilidade de retorno. Independentemente da literalidade histórica desse “movimento”, o símbolo permanece intacto e passa a sua mensagem: quando não há caminho de volta, a única opção é avançar. Essa força simbólica dialoga profundamente com os processos internos que vivemos quando somos chamados a sair da zona de conforto, quando somos convidados a crescer.


No campo profissional, pessoal ou em qualquer outra área da sua vida, queimar os barcos não significa agir sem consciência ou abandonar tudo de forma impulsiva. Trata-se de um movimento interno de escolha, no qual a pessoa decide parar de sustentar o passado apenas por medo do desconhecido. Enquanto mantemos saídas de emergência baseadas na insegurança, nossos sonhos e novos projetos continuam sendo adiados, enfraquecidos ou tratados como algo distante.


Sob a ótica das Constelações Sistêmicas, esse movimento ganha ainda mais profundidade. Os sistemas aos quais pertencemos, como os familiares, emocionais e profissionais, possuem um campo energético próprio. Esse campo tende a buscar equilíbrio e, muitas vezes, tenta nos manter exatamente onde sempre estivemos. Quando alguém se movimenta para um novo lugar, seja ele interno ou externo, o sistema individual e até mesmo o sistema coletivo podem reagir por meio da inércia do campo (força de conservação sistêmica), que nos puxa de volta ao lugar conhecido, gerando inseguranças, dúvidas, sentimento de culpa e muito medo. Não porque o novo caminho seja errado, mas porque o que é ‘conhecido’ tenta nos manter presos ao status quo. Essa é uma das razões pelas quais tantas pessoas sentem um impulso quase automático de voltar atrás quando decidem mudar. A energia antiga puxa, chama, seduz com promessas de segurança e pertencimento. O campo é forte e quer conservar a ordem anterior. Queimar os barcos, nesse sentido, é reconhecer essa força sistêmica e, ainda assim, escolher seguir adiante com consciência, respeitando o sistema sem, contudo, se submeter a ele.


A procrastinação, tão comum, pode estar funcionando como lealdade inconsciente ao que foi vivido antes. Medo de sair do lugar conhecido, medo de romper vínculos invisíveis, medo de ocupar um espaço maior do que aquele que o sistema permitia. O problema é que não escolher também é uma escolha, e frequentemente a mais dolorosa. A coragem não está na ausência de medo, e sim na capacidade de atravessá-lo com firmeza. Corajoso é quem sente o peso do passado e ainda assim honra o chamado do novo. Quem se permite explorar novos caminhos compreende que o crescimento exige adentrar territórios internos e externos desconhecidos, mesmo quando o sistema tenta puxar de volta.


Queimar os barcos, simbolicamente, pode significar encerrar ciclos, soltar crenças limitantes, sair de padrões herdados e deixar papéis que já não sustentam quem você se tornou. Pode significar finalizar um relacionamento tóxico, abandonar um trabalho que adoece, romper com dinâmicas familiares disfuncionais, mudar de caminho profissional ou, ainda, dizer não a expectativas externas que sufocam a sua própria verdade. Não se trata de rejeitar a própria história, e sim de reconhecer que ela não precisa determinar o futuro.


Do ponto de vista terapêutico, essa transformação interna está relacionada à capacidade de assumir níveis mais elevados de autorresponsabilidade, maturidade emocional e confiança na própria força. Trata-se de reconhecer, internamente, que é possível habitar um novo lugar, mesmo quando o antigo campo ainda exerce pressão. Cada passo dado nesse novo caminho amplia a organização da energia interna e consolida a identidade, fortalecendo a coerência entre quem se é e o caminho escolhido.


Talvez você não precise queimar todos os barcos de uma só vez. No entanto, talvez seja essencial parar de usá-los como rota de fuga quando o sistema tenta te puxar de volta. A vida responde ao movimento verdadeiro. E, não raro é somente quando sustentamos o novo, apesar do desconforto inicial, que o campo começa finalmente a se reorganizar.


Escolher um novo caminho revela coragem. Todo desbravamento verdadeiro começa quando, interna e conscientemente, decidimos avançar, mesmo com medo.

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